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Infelizmente essa é a realidade, brasileiro não se planeja financeiramente

August 27, 2018

Além da baixa capacidade de poupança, a falta de planejamento financeiro resulta na alta inadimplência. De acordo com dados apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) tivemos no primeiro semestre de 2018 (Jan-18 até Jun-18) uma estimativa de 63,6 milhões (isso equivale a 30,52% da população brasileira que em 2018 chegou a 208,4 milhões) de consumidores inadimplentes, ou seja, brasileiros com contas no vermelho.

 

Infelizmente cada inadimplente brasileiro tem em média duas dívidas em aberto. Pendências que mais cresceram em junho/2018 foram as contraídas em instituições financeiras.

 

Desta forma, cair na tentação e gastar com algo que não precisava ou até mais do que poderia é o principal motivo que leva a maioria das pessoas a não conseguir fazer poupança, reserva financeira (colchão financeiro) para usar em situações inesperadas ou para ter renda extra no futuro.

 

O curioso é que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Anbima, associação que representa entidades do mercado de capitais no País, oito em cada dez brasileiros reconhecem a importância de fazer essa reserva, porém mais da metade da população não começou a guardar dinheiro.

 

O levantamento também mostra que a maioria dos brasileiros até se considera cuidadosa na hora de controlar os gastos, mas, na contramão, quase 60% das pessoas assumem que não gostam de se planejar e que preferem esperar as coisas acontecerem para só então tomarem alguma atitude, e eu, como educador e planejador financeiro acho isso muito triste, pois a nossa população sofre por falta de conhecimento/informação, pois não foram educados financeiramente para pensar no dia do amanhã, vivem tão alienados no dia a dia com tanta pressão em suas vidas, que não param para se planejar para a velhice ou para os dias difíceis.

 

As respostas obtidas pela pesquisa brasileira refletem a análise proposta pelo estudo que garantiu o Prêmio Nobel de Economia de 2017 ao norte-americano Richard Thaler.

 

Um dos pais da economia comportamental, em que a psicologia se une à ciência econômica, Thaler propõe os conceitos da "contabilidade mental", na qual explica de que forma as pessoas simplificam as decisões financeiras, tornando-as menos racionais do que se imaginava.

 

Os estudos de Thaler mostram como a falta de autocontrole, em que as tentações de curto prazo sabotam o planejamento financeiro de longo prazo, como uma reserva mensal de dinheiro para a aposentadoria acaba trocada pela parcela de financiamento de um carro, por exemplo.

 

"A teoria da economia comportamental trata o dinheiro de forma muito mais próxima da nossa realidade. Não dizendo como deveríamos agir, mas como, de fato, agimos."

 

Gostaria de esclarecer que, ao contrário do que costuma ser difundido quando se fala de finanças pessoais, não existem modelos e regras fixas a serem seguidas. Cada pessoa tem experiências próprias e vive momentos distintos que influenciam nas decisões financeiras.

 

"As escolhas que fazemos são sempre sob pressão de tempo e emoções, o que deixa a racionalidade distante."

 

Por isso, é ideal se conhecer, saber o que o deixa mais suscetível a consumir por impulso ou a postergar o hábito de poupar.

 

O grande desafio, na visão do presidente do Comitê de Investidores da Anbima, Aquiles Mosca, é que a maioria das pessoas vê o planejamento financeiro como uma privação de consumo.

 

"Elas não querem deixar de ter os pequenos prazeres da vida."

 

O presidente da entidade acredita, ainda, que essa característica é mais evidente entre os brasileiros, que gastam muito, independentemente do perfil de renda.

 

"Toda renda extra tem como direcionamento primordial o consumo imediato", diz.

Para Mosca, tal comportamento ajudaria a explicar porque 97% dos aposentados não têm liberdade financeira e precisam reduzir o padrão de vida.

 

Precisamos acabar com esse tabu...

 

Enquanto tivermos esse tabu e o baixo interesse sobre o assunto de educação financeira e/ou planejamento financeiro, infelizmente a maioria da nossa população irá gerar cada dia mais lucros bilionários para os bancos e entidades de créditos e o futuro dessa imensa maioria irá ser comprometida por não se preparar financeiramente para o futuro.

 

O nosso povo sofre de duas formas, falta de educação financeira em todos os sentidos e a ”perversidade” por trás dos canais de comunicação que usam a mídia em geral para fazer propagandas para incentivar o consumo desenfreado. 

 

Na opinião dos educadores e planejadores financeiros o tema dinheiro deve ser assunto frequente nas conversas familiares. Não pode ser espinhoso nem exclusivo dos momentos de crise.

 Referência: Diário do Comércio, SPC Brasil e IBGE

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Planeje seus gastos, pois planejar vem antes de gastar!!!

“Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?" Lucas 14:28

 

O desejo de consumo é inerente ao ser humano, mas sempre deve ser precedido pelo planejamento financeiro. Marcar os ganhos e os gastos, monitorar rotineiramente, e agir no dia-a-dia para não perder o controle gerenciando suas compras é fundamental.